White Aveiro
Onde a avenida se interrompia, um corpo branco que a volta a coser.
Aveiro, Portugal · 2017–2025
Ao mesmo tempo discreta e transformadora.
Entre dois edifícios de maior escala, sobre um pré-existente degradado, o Edifício Lourenço escolhe a integração em vez da imposição — e faz da continuidade da cidade o seu primeiro material.

Costurar a cidade
Na Avenida Dr. Lourenço Peixinho, eixo identitário de Aveiro, um pré-existente degradado interrompia a frente urbana. O novo corpo não procura sobressair: prolonga a cadência da avenida e devolve-lhe a harmonia e a clareza que lhe faltavam.
Não impor, integrar
Entre dois edifícios de maior escala, a resposta faz-se pela cércea e pelos alinhamentos dominantes. A altura mede-se pela dos vizinhos, o desenho aceita as regras do lugar — e é dessa contenção que nasce o equilíbrio do quarteirão.

Uma malha que se repete
A fachada organiza-se numa malha modular. Da repetição vem a coerência; da profundidade dos vãos, o jogo de luz e sombra que lhe dá ritmo e textura. Tudo reduzido a uma linguagem mínima e branca, sem ornamento nem gesto desnecessário.
Da avenida ao canal
No rés-do-chão, o edifício mantém o atravessamento pedonal que liga a avenida ao canal — um gesto identitário desta rua. O corredor faz-se permeabilidade: liga frente e tardoz, prolonga o passo até à margem da ria e devolve o edifício ao domínio público.
O vazio que respira
Se a frente se constrói pela continuidade, o coração do edifício está no vazio. Um pátio central leva luz, ar e salubridade a todos os fogos — o espaço negativo que se torna catalisador de vida. É nele que o edifício respira.
Branco por fora, cheio de cidade por dentro.
Créditos
Arquitetos responsáveis
- Henrique Marques
- Rui Dinis
Arquitetos
- André Sousa
- Adriana Pacheco
- Fred Delgado
- Joana Leitão
- João Ortigão
- Marco Santos
- Tiago Maciel
- Nuno Rodrigues
Direção financeira
- Carla Duarte
Photography
- Alexander Bogorodskiy